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Frederico e Catarina

KHM 059

Havia um homem chamado Frederico, casado com uma mulher cujo nome era Catarina. Logo que se casaram, foram viver em uma fazenda. Frederico não tinha idéia do quanto sua mulher era atrapalhada! No primeiro dia de casados, ao sair para trabalhar, Frederico pediu:

"Catarina, vou arar a terra. Quando voltar, estarei com muita, muita fome. Prepare um bom almoço. Para acompanhar, quero um canecão de cerveja preta!

"Não se preocupe"

"disse ela. "Vou fazer um almoço de dar água na boca!

Quando a hora do almoço se aproximava, Catarina pegou um salsichão. Era só o que havia. Mas tinha um bom tamanho, suficiente para os dois. Acendeu o fogo. Botou o salsichão para fritar! Logo, estava estalando na frigideira! Catarina, então, se lembrou da cerveja e como o salsichão estava quase pronto, correu para a adega com uma jarra grande e deixou a panelo no fogo. Na adega, havia um barril pequeno cheio de cerveja. Abriu a torneira e começou a encher a jarra, mas ouviu uns passinhos na cozinha e lembrou-se do cachorro.

"Deixei o cachorro solto! E se ele roubar o salsichão!

Saiu correndo da adega, mas o cachorro já corria longe com o salsichão na boca. Catarina gritou, perseguiu o cachorro, mas cachorro que se preza não desiste fácil de um salsichão tão saboroso. Quanto mais Catarina corria, mais o cachorro se afastava com os dentes cravados na gulodice! Não teve jeito. Catarina se cansou. "O que não tem remédio remediado está", conformou-se a pobre.

Voltou pra casa bem devagar, morta de cansada e nem se lembrou mais da cerveja, que depois de encher a jarra, escorreu pelo chão até esvaziar o barril. Quando a Catarina chegou perto da escada, levou o maior susto! O que fazer para Frederico não descobrir suas trapalhadas?

Depois de muito pensar, lembrou-se que o marido guardava um saco de farinha de excelente qualidade e resolveu que ia espalhar o pó pelo chão. Assim a farinha ia secar a cerveja derramada e o chão ia ficar branquinho, parecendo limpo. Como um desastre nunca vem sozinho, Catarina ao espalhar a farinha pelo chão, acabou esbarrando na jarra de cerveja e... lá se foi.

Ao meio dia, Frederico chegou em casa.

"Catarina! E o almoço?

E Catarina teve que contar tudo pra ele. O marido que já ia gritar, furioso com as trapalhadas da mulher, nem teve tempo, porque ela foi logo dizendo:

"Mas temos uma vantagem, Frederico, a adega está limpinha, limpinha.

"Catarina, Catarina, como pôde deixar tudo isso acontecer, mulher? O que vamos almoçar, agora?

E depois disso, Frederico achou melhor ficar de olho na mulher, pois sua esposa era um desastre! Como ele tinha uma boa quantia de ouro guardada em casa, resolveu esconder bem para que Catarina não fizesse mais bobagens.

"Veja, Catarina, estes lindos botões amarelos"

"disse ele, mostrando as moedas de ouro. "Vou enterrar no jardim, guardados nesta caixa. Mas gostaria que não tocasse neles.

E a mulher concordou que não ia se aproximar dos tais botões. Mas assim que o marido saiu...apareceram uns vendedores de panelas e pratos de louça. Catarina ficou doida pra comprar, mas não tinha dinheiro algum. Foi aí que se lembrou de uns inúteis botões amarelos, que, certamente o marido não ia se importar em trocá-los por lindas panelas e pratos. Perguntou aos vendedores se aceitariam algo em troca. Os homens logo quiseram saber do que se tratava e a mulher disse que tinham que pegar, eles mesmos, porque ela prometera ao Frederico não tocar neles.

Nem preciso dizer que eles aceitaram a troca e foram embora depressa, deixando para Catarina muitas panelas e pratos, que ela usou para enfeitar a casa toda.

Quando Frederico voltou, teve a maior surpresa com tantas panelas e pratos novos! Catarina, então contou sobre o bom negócio que fizera.

Frederico ficou roxo de tão nervoso!

"Mulher! E agora, o que faremos?

E Catarina, muito esperta, resolveu que deviam perseguir os malandros que a passaram pra trás. O marido suspirou. Seria uma grande viagem.

"Leve uma cesta com dois queijos, pães e manteiga.

E Catarina obedeceu. Saíram. Frederico que estava preocupado demais com seu ouro, acabou deixando a mulher pra trás, de tão ligeiro que andava.

"Não faz mal. "disse a mulher. "Quando voltarmos estarei muito mais perto de casa do que ele.

Dali a pouco, ela chegou no alto de um morro. Pra descer, só uma estradinha bem apertada, que as carroças, quando passavam por ali, raspavam as rodas nas árvores, fazendo marcas feias nos troncos. Catarina quando viu ficou com muita pena das coitadinhas e pensou que se aquilo continuasse a coisa ia piorar. Pegou, então, a manteiga que levava para o lanche e esfregou nas árvores, como se fosse pomada, para que as carroças ao passarem, deslizassem sem machucar os troncos. Mas enquanto fazia o curativo, um dos queijos acabou caindo da cesta e rolando morro abaixo. Catarina tentou pegá-lo, mas como não deu conta, mandou o outro queijo que sobrara procurar o que havia fugido. Esperou por eles um tempo e como não voltaram, resolveu continuar a caminhada até encontrar Frederico, que descansava.

Mal avistou Catarina, foi logo dizendo que estava com fome. A mulher lhe deu pão seco e contou o que havia acontecido com a manteiga e os queijos.

"Como você é tonta, Catarina!

E comendo o pão seco lembrou de perguntar se a mulher havia trancado a casa ao sair.

"Não! Você não me disse nada.

O homem quase arrancou os cabelos, de tão nervoso.

"Você vai voltar agora, mesmo! Cuide bem da porta da frente e aproveite para trazer alguma coisa pra gente comer. Vou te esperar aqui.

Catarina voltou. No caminho, ia pensando que Frederico talvez não gostasse muito de queijo e manteiga. Decidiu levar nozes e uma garrafa de vinagre, porque ele sempre colocava muita vinagre na salada, então devia gostar bastante.

Chegou em casa, trancou a porta dos fundos e lembrou-se de que o marido havia pedido para cuidar da porta da frente. E depois de muito esforço para soltar as dobradiças, decidiu levar a porta da casa junto e foi embora com ela.

Ao chegar onde estava Frederico, mostrou seu feito ao marido, esperando que, finalmente ele ficasse satisfeito com sua esperteza.

O homem nem queria acreditar no que via. "Oh, pobre de mim. Que mulher esperta eu arrumei! Mandei fechar a porta e você a traz nas costas? Agora irá carregá-la.

E Catarina, contrariada com o marido malagradecido, amarrou a garrafa e as nozes na porta para poder carregar. Frederico nem quis comentar tal solução. E foram andando para o bosque, procurar os vendedores malandros. Mas não encontraram e com já anoitecia, decidiram subir numa árvore para se proteger de perigos. Mal tinham subido, apareceram os próprios vendedores safados. Acenderam uma fogueira e se deitaram debaixo da árvore, onde estavam Frederico e Catarina.

"São eles! "Cochichou a mulher. E ficaram quietinhos até o dia começar a clarear. Catarina já não aguentava mais segurar a porta, achou que a culpa de estar tão pesada era das nozes e jogou-as lá de cima, acertando a cabeça dos homens. Um deles achou que era chuva e gritou: "Granizo!

Passado mais um tempo, Catarina que continuava cansada e com dores no corpo por segurar a porta, concluiu que a culpa de tamanho peso era da garrafa de vinagre. Abriu o vidro e jogou o vinagre fora, em cima dos vendedores, que sentindo os pingos, entendeu que era chuva.

É claro que Catarina continuou cansada e decidiu jogar a porta, o que apavorou o marido, com medo dos homens, que eram dois. Catarina, já sem paciência gritou:

"O diabo que te carregue! "e jogou a porta.

Os dois malandros, achando que a porta tivesse mesmo vindo do inferno, fugiram correndo, deixando tudo pra trás. Frederico e Catarina desceram da árvore e voltaram felizes pra casa. Desde então, Frederico aprendeu a achar graça das trapalhadas de Catarina.

------ fim -----

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